segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Capítulo 05 - As Grutas do Spar ®


“Quem duvida de quem ama terá que abandonar um dos dois: o amado ou o ciúme.” ®

Todos estavam cansados. Andavam, quase sem parar, desde as 07h00 e nada de chegarem as Grutas. A solução que encontraram foi a implicância e a concorrência. Qualquer fato era motivo de encarnação. Lúcia e Marcelo já estavam caminhando afastados, pois foram os primeiros alvos. Estavam tão entretidos uns com os outros que nem perceberam a grande pedra que surgira após a curva do caminho. Era a primeira gruta e teve que ser anunciada por Paulo para, só então, atrair o grupo que se revitalizara com aquela visão.
Os primeiros a chegarem à boca da Gruta foram Lúcia e Marcelo, estavam encantados com a grande entrada da gruta e ao mesmo tempo assustados o suficiente com a escuridão que se anunciava para esperar os demais chegarem e juntos passaram a explorar aquela gruta que para eles era pura novidade.
Naquele momento Ferreira se via entrando na mesma escuridão que o grupo. Ele correra para a cozinha, mas ele que abrira toda a casa não tirou a tranca da porta da cozinha, tão mais simples e agora ele não tinha mais tempo. Olhou ao redor. Onde se esconder? Como se esconder daqueles homens armados que já estavam na sala.
Verificou que o armário com frutas, legumes e outros alimentos, entre o fogão e a geladeira possuía rodas. Imediatamente o empurrou para a parede em frente e entrou no vão deixado mesmo sabendo que ali ele não estaria oculto de nada nem de ninguém. O barulho que ele fez ao arrastar o móvel com rodinhas chamou a atenção do grupo que, agora, de armas em punho, caminhava cuidadoso para a cozinha.
Ferreira na prisão, por uma questão de sobrevivência, aprendera a lutar muito bem. Mas, também lá, teve a certeza que contra armas de fogo nada se pode fazer. Ainda assim quando viu a arma se antecipar a seu dono usou o quadro que estava consigo e atingiu fortemente o braço de Franz com quem se atracou com toda a vantagem que sua prática e a surpresa lhe davam. Já estava montado sobre o adversário e pronto para dominá-lo definitivamente que a escuridão lhe alcançou. Ela veio na forma de uma forte coronhada que, deferida por Bayer, rachou-lhe a cabeça e enquanto ele desmaiava seu sangue se espalhava por toda parte.
Franz levantou-se e ainda deu um forte chute no desacordado Ferreira. Eles tinham que sair dali imediatamente. Fizeram muito barulho, derrubaram o armário de rodinhas, alguns copos e talheres que estavam sobre a pia caíram ao chão que ficara cheio de cacos. Com poucas palavras decidiram levar Ferreira consigo, poderia seu um bom refém para trocar, mais tarde, pelo que realmente lhes interessava.
No carro já achavam que tinham conseguido mais um estorvo do que um refém. O que fazer com ele? Onde esconder um homem sangrando com a cabeça quebrada? Lembraram de Lúcio, o motorista que os levara até ali, conseguira documentos e armas. Ele era, sem dúvida, uma boa opção, talvez a única.
Uma simples ligação e pouco depois estavam pegando Lúcio próximo ao hotel. Por sugestão dele seguiram o caminho das grutas. No caminho pararam para comprar alguns apetrechos como corda, lanterna e mais algumas coisas para não chamar atenção. Lúcio comprou até algumas tangerinas apresentando-as aos alemães. A fruta não era estranha para eles, mas eles confessaram nunca ter chupado nenhuma tão deliciosa quanto aquelas.
No caminho pararam nas ruínas do que parecia ser um dos acessos à antiga mina. Fizeram um curativo desajeitado em Ferreirinha, amordaçaram o homem e deixaram-no amarrado nas ruínas, afinal ele seria útil de alguma forma.
Se Ferreira recobrasse o sentido reconheceria em Lúcio um ex-companheiro de prisão. Mas isso só daria a ele a certeza de que estaria em breve diante de uma posição extrema. Ele conhecia Lúcio o suficiente para não saber qual a sua decisão, mas ou ele o soltaria e se utilizaria dele para ter algum benefício futuro ou o mataria imediatamente.
Lúcio certamente o reconheceu e preferiu manter-se calado, aquilo poderia ser um bom trunfo. Ferreira certamente sabia muito mais que ele sobre o dinheiro roubado. O que ele estaria fazendo naquela casa? Ele sabia de alguma coisa. Mais tarde Lúcio voltaria sozinho para alimentá-lo, ou não!
Seguiram, então, para as Grutas de Spar para fazerem um reconhecimento do local. Poderia ser um local de fácil acesso que permitisse fazer uma busca rápida. Passaram direto da primeira gruta e junto com o grupo chegaram à segunda gruta.
Diante da entrada da segunda gruta os dois grupos pararam estupefatos. Não tinham palavras para descrever a sensação de se sentirem mínimos diante da imponente entrada da gruta. Aos poucos foram se aproximando e passaram, todos, a explorar o local.
Os alemães e Lúcio deixaram as armas no veículo e pareciam turistas normais. Só chamavam atenção por suas próprias características e pelo idioma ou sotaque quando tentavam falar o português. Assim preferiram se misturar ao grupo e agir com naturalidade.
Logo os marginais descobriram que sem o mapa seria muito difícil adivinhar onde o comparsa escondera a fortuna roubada. O interesse pelo local ficou ainda menor diante do grande lago que se apresentava diante deles. Eles não contavam com mais aquele fator, mas trocaram olhares e, em alemão, concordaram que se eles tivessem escondido o dinheiro naquela gruta seria depois daquele lago certamente. Mas onde? Era tudo tão grande. Tão maior do que tudo que imaginaram.
Paulo, por sua vez, viera bem equipado e trouxera uma grande bóia redonda, tipo cama, e logo, de dois em dois, o grupo passeava pelo lago de águas límpidas e transparentes no interior escuro da gruta. Só mesmo com lanternas se enxergava alguma coisa.
Enquanto o grupo se distrai na lagoa da gruta Paulo se afasta e sai da gruta pouco antes dos alemães. Estava verificando pela janela o interior do furgão quando percebeu a saída do grupo. Pensou rápido e a solução foi urinar como se estivesse usando o carro para se ocultar.
Franz, rindo, fez questão de dizer um “oi” e entrar no carro pensando em acanhar o homem. Com isso permitiu a entrada de claridade suficiente para que Paulo percebesse diversas armas.
Pedindo humildes e gaguejadas desculpas e sob as gargalhadas do grupo Paulo se afasta fingindo grande constrangimento. Enquanto se afastava examinava todas as hipóteses. Seguir o grupo estava fora de questão, ele estava a pé e o grupo de carro. Não tinha nem motivo, nem oportunidade de buscar o confronto. Eles não fizeram nada de errado além de portar armas e a dele estava dentro da gruta na bolsa ao lado de Bia. Só lhe restava deixá-los ir e ficar atento para aquele carro e aqueles homens que seu instinto policial avisava-lhe que tornaria a encontrar.
Teve que esquecer o grupo. Bia alarmada lhe chamava da grande entrada da gruta quase que em desespero. Afonso, um dos gêmeos, sumira e ninguém sabe quando foi visto pela última vez. Ela mesma só percebeu sua falta quando ao final do passeio de bóia sobrou apenas seu filho, André. O número de pessoas era par, então tinha que ter um acompanhante para passear na bóia com ele.

 

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