terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capítulo 11 - Voltando à normalidade ®


“Correr o risco de sofre por amar sempre compensa.” ®

A manhã invade a casa. Os moradores resistem, dormem um pouco mais. Logo o calor acorda um dos rapazes e logo todos estão acordados e tomando café feito por Paulo.
O cheirinho do café acaba por tirar Bia da cama, logo seguida por Marisa e Lúcia. Conversam na cozinha e Bia vai se arrumar para as inevitáveis compras. Sendo domingo era melhor ir logo antes que o mercadinho fechasse.
Paulo, a contragosto, também se arrumou. Quando estavam saindo Lúcia pediu uma carona e os meninos resolveram ir para a praia.
Marisa, sozinha, preparou o café da manhã e levou para Andréia no quarto. Quando Andréia viu o café fumegante numa bandeja sentou-se na cama de um pulo adivinhando ser para ela a regalia.
Enquanto Andréia saciava sua fome matinal também saciava sua curiosidade. Marisa contou tudo que era possível ocultando qualquer detalhe mais profundo e Andréia entendeu bem sua estada ali. Curiosa quis saber a idade da menina, era tão difícil determinar. Às vezes parecia ter uns 17 ou 18 anos, outras quase 20, mas ela já era policial federal, como?
Marisa, sem confessar sua idade, contou que no primeiro grau teve muitas dificuldades já que era considerada "um gênio", uma sumidade. Isso trouxera uma grande exposição e com ela um grande acanhamento. Também a afastara de seus colegas.
Seu desempenho matemático e nas matérias científicas fizeram com que seu tio, delegado da polícia federal, recorresse a ela em algumas oportunidades levando-a para delegacia, normalmente para decifrar o conteúdo real de mensagens anônimas que pareciam ser cifradas. Ela acabou desenvolvendo um sistema para o setor de informática e, ainda no segundo grau foi levada a uma universidade federal onde seus conhecimentos matemáticos foram testados exaustivamente e depois dos testes ela foi considerada graduada em matemática.
Ia ser contratada sem concurso público tendo em vista sua especialização pessoal, mas preferiu ser apenas mais uma e submeteu-se ao concurso sendo a terceira colocada nacional. Desde então era, além dos problemas matemáticos, designada para os casos que envolviam jovens adolescentes e dependiam de infiltração.
Só então aprendi a me relacionar com pessoas, a trocar afetos, a ser mulher. Imagina que eu não sabia escovar um cabelo e hoje sou mestra, deixe-me mostrar.
Rindo como qualquer adolescente foi “aos pulos” até o banheiro e trouxe consigo duas escovas e um pente. Nos próximos minutos e por meia hora dedicou-se exclusivamente a isso.
Andréia, quando se viu no espelho, sentiu-se tão maravilhosa que correu para abraçar e beijar a nova amiga. Realmente seu cabelo dera uma nova moldura e realçara seu rosto.
O telefone tocou. Andréia sentou-se no sofá e atendeu. Márcia deitou em suas pernas e ficou atenta. Era Roberto. Perguntava pela Bia.
- Ela não está? – sua pergunta soava com certo espanto.
- Você pode me dar o celular dela? Já liguei diversas vezes para o do seu pai e só dá fora de serviço. – Andréia nem resistiu, Marisa confirmara tudo o que ela repetira e sussurrou que ele era policial e amigo de seu pai. Assim ele logo estava com o telefone de Bia e ligava para ela.
- Bia, que prazer falar com você, perdoe a pressa de ontem. É Roberto falando. – falou apenas isso e calou-se ficando um longo silêncio entre os dois até que Bia ligou a voz e o nome à pessoa.
- Roberto, sim! Colega de trabalho do Paulo.
- Isso. Perdoe estar ligando para o seu celular, mas o Paulo esta ai consigo?
- Está sim. Estamos fazendo compras. Quer falar com ele?
- Quero sim, tentei o celular dele, mas só dava fora de área.
- Só um momento. – esticou a mão passando o celular para Paulo que acompanhara a conversa até ali.
- Diga Roberto.
- Temos algumas novidades sobre o caso. O agente da Interpol trouxe novas informações. Só não posso levar até você embora esteja pensando em passar na casa. Você podia dar um pulo na delegacia.
- Estarei ai em uma hora.
- Procure o João, está tudo com ele. Mais tarde nos falamos pessoalmente em sua casa.
- Ok, um abraço. - Paulo falou já desligando.
- Estranho...
- O que foi? - perguntou Bia já aflita.
- O Roberto... Ele me liga se convidando para ir lá a casa para conversar pessoalmente comigo, mas pede que eu vá à delegacia para ler o dossiê que o agente da Interpol atualizou com novas informações. Não entendi.
- Vocês policiais, levam tudo que falamos ao pé da letra. É de se esperar que ele queira visitar a casa.
- Mas isso pode chamar a atenção e estragar meu habitual disfarce.
- Só se ele for com aparato, colete e carro oficial, senão será apenas um amigo visitando-lhe durante as férias.
Continuaram a fazer as compras.
Ferreirinha, sob o sol da manhã, também acorda. Dormira sentado na calçada. Em poucos segundos já está atento e seu foco permanece. Ficar escondido algum tempo na casa de Rosa.
Olha com atenção e vê que a lâmpada da varanda está apagada. Ela já chegou e ele estava, certamente, dormindo.
Levantou-se num ímpeto e sentiu tudo rodar e a cabeça latejar. Esquecera da coronhada. Preferiu nem tocar na bicicleta roubada e seguiu a pé para a casa de Rosa.
Chegou e foi entrando como se de casa fosse. Quando Rosa deu com ele foi num susto percebendo um homem em sua cozinha. Na reação quase lhe joga a xícara com café fumegante.
- Não estraga esse café delicioso, me dá pelo menos um golinho dele.
Resmungando muito e refeita do susto ela parece aceitar sua presença informando que ainda tem café no bule.
A conversa que se seguiu foi cheia de farpas. Ela fora abandonada pelo pseudo marido que não podia nem negar ter. Ela era suspeita de ser cúmplice dele na morte do irmão, quase não sai da delegacia e só saiu porque o defensor público que já a conhecia por defender seu irmão interveio. Ele não podia, é claro, fica ali, a casa era dela. Não adiantava implorar.
Ferreirinha, durante a discussão passou a mão pelo bolso e percebeu que ainda tinha dinheiro. Assim que o clima melhorou pediu licença e saiu. Até Rosa se espantou com a facilidade de expurgar aquele gaiato que, sem mais nem menos, tinha resolvido se esconder na casa dela.
Ela já estava com o espírito desarmado quando Ferreirinha adentrou sua sala com um ramo de flores e algumas bolsas.
- O que é isso Ferreirinha? Pode me explicar?
- Trouxe algumas frutas, legumes e verduras. Não deu para trazer carne, porque o mercado já fechou, e não resisti ao deparar com esse ramo de flores que me lembraram você, uma flor com muitos espinhos para me arranhar.
Rosa não sabia o que era receber flores desde a adolescência quando uma única vez recebera um lindo buquê e em troca entregara sua virgindade. Nunca mais vira aquele rapaz. Ele era rico, tinha carro do ano e se interessara por ela. Descobriu tarde demais, por um amigo dele, que ele apostara com seu grupo que em menos de um mês conquistaria sua virgindade. Nunca mais confiou em homem nenhum.
O gesto de Ferreirinha, todavia, mexeu com a mulher que há muito se escondera dentro dela. Arrancou dela um sorriso. Quebrou sua resistência e ela permitiu que ele ficasse ali até a noite, depois tinha que procurar seu rumo em outra freguesia.
Logo Rosa estava feliz, cantarolando um forró que tocava no rádio, enquanto cozinhava, com prazer, para dois. Ferreirinha arrancou-a do fogão e levou seu corpo bailando para sala onde demonstrou ser um pé de valsa, leve como um felino e tão ousado quanto qualquer deles. Logo estava miando no ouvido dela e ela aos poucos ia derretendo o gelo e deixando a mulher antes reprimida se anunciar mais e mais.
Paulo termina suas compras e vai para casa. Quando chega fica alarmado. Tem um carro da polícia militar sob a grande amendoeira e dois policiais conversando ao lado dela. Ele para o carro ainda distante e liga para Roberto que atende prontamente.
- Tem um carro da polícia militar no meu portão, o que está havendo?
- Nada, é apenas precaução para com a sua família. Os policiais nem sabem o porquê deste ponto base, estão aí cumprindo ordem de ficar visível, com presença ostensiva para os turistas sentirem-se seguros. Tivemos informação de que carros “filmados” estavam rondando essa região.
- Então posso ignorá-los, fingir que eles não estão ali?
- Claro que pode.
- Tudo bem, logo estaremos juntos.
Paulo pôs o carro em movimento e estacionou no quintal da casa com a ajuda de Andréia que lhes abriu o portão.
- Moça, a senhora pode nos conseguir uma garrafa de água geladinha? – a pergunta vinha de um dos policiais que já estava encostado no muro.
- Estamos aqui para a sua segurança. – Paulo estava saindo do carro e aquilo não condizia com o que Roberto lhe informara. Já estava certo de que fora enganado quando o policial completou.
- Para sua família e todas as famílias de turista desta região, ordens diretas do comandante, cuidar dos turistas.

 

0 comentários: