terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capítulo 13 - O perigo se anuncia ®


“É no silêncio que o amor melhor se manifesta.” ®
Paulo sabia que algo estava acontecendo, mas não atinava o que poderia ser. Bia nunca fora ciumenta. Não podia ser ciúmes, mas parecia ser.
Perturbado seguiu para o Peixe Frito, tradicional restaurante de frutos do mar em Maricá, resolvera comer fora para ter tempo para pensar em tudo. Em Bia, principalmente, mas também nesse misterioso assalto a casa, na presença destes estrangeiros, no assassinato de Lúcio, nos últimos acontecimentos – eles não se encaixavam logicamente.
Pediu uma cerveja, precisava relaxar, e o cardápio, estava sozinho e não sabia o que pedir.
Junto com a cerveja acontece a presença de Roberto.
- Paulo! O que você está fazendo aqui?
- Vim almoçar sozinho para pensar melhor. E você, porque está aqui?
- Por dois motivos. Por hábito. É normal nos fins de semana buscar um lugar melhor para almoçar. E por ter visto um carro parecido com o seu lá fora. Eu já vinha para cá mesmo e seu carro só fez confirmar minha opção.
- Você esteve lá em casa? – Paulo perguntou e ficou observando a reação de Roberto.
- Rapidamente. Assim que soube que você não estava resolvi não esperar e voltar mais tarde. Bia me reteve, ela estava estranha. Ela sabe alguma coisa de seu caso com a Marisa?
- Caso? Que caso? Você também! Vocês são loucos. Eu não misturo trabalho com relacionamentos.
- Mas a Marisa ficou apaixonada, chorava pelos cantos, só falava em você.
- Vamos mudar de assunto. Essa conversa me irrita profundamente.
O garçom chegou com a cerveja e com o cardápio interrompendo o que podia virar uma discussão. Com a ajuda de Roberto, Paulo escolheu o Bobó de Camarão e passaram a discutir o caso dos estrangeiros.
Na casa de Paulo o grupo acabava de almoçar. Telma chegava para se juntar a eles sendo recepcionada por Luís com um delicioso beijo. Logo se afastaram da turma indo passear pela praia. Telma ainda não estava refeita do grande susto da noite passada. Estava se perguntando se toda ansiedade e apreensão experimentada eram por culpa ou por paixão.
Na casa André leva Marisa para seu quarto e juntos, na mesma cama, vão descansar o almoço entre beijos e afagos.
Andréia, preocupada, insiste na porta até sua mãe deixá-la entrar. Ela encontra a mãe de olhos inchados de chorar. Bia foge de qualquer explicação mais complexa e põe a culpa em tudo que acontecera na noite e madrugada anterior, estava nervosa...
Andréia sabia que era muito mais que isso. Preferiu não comentar a brusca saída do pai. Era a primeira vez que ela via um estremecimento mais sério entre os dois e preocupada ficou ao lado da mãe, calada, mas apoiando-a.
Ferreirinha? Este esta nas nuvens. Depois do delicioso almoço deitou no sofá da sala, cabeça apoiada no colo de Rosa, televisão ligada, um gostoso cafuné e o sono lhe envolvendo calma e silenciosamente.
Em outro lado da cidade as coisas não estavam assim tão calmas. A fuga de Ferreira e o assassinato de Lúcio se desenhavam ao estranho grupo de estrangeiros como ação de um grupo rival. Sem saber do cerco policial eles acreditavam que mais alguém estava à procura do mesmo dinheiro que eles e que Ferreira fazia parte desta quadrilha. Tinham que achá-lo de qualquer forma.
Mantinham a casa de Ferreira sob vigilância com dois homens, foto e celular prontos para comunicar caso ele aparecesse, estavam se envolvendo com os marginais locais, o custo estava sendo alto. Entre eles planejavam uma ação para aquela noite. Iam invadir a casa branca com ou sem moradores nela.
Para planejar melhor a ação foram fazer o levantamento do local. Só não esperavam uma casa tão cheia e movimentada e uma viatura policial na sua porta. Estranharam os fatos que verificavam e aquilo demandava um planejamento maior e mais custos.
Primeira providência seria trocar as armas. Conseguiram no mercado negro do Rio de Janeiro, através de um agente, a troca das armas de assalto por armas táticas. A melhor disponível era a premiada pistola Taurus 24/7, apesar de brasileira era mundialmente famosa. Estava disponível, apesar ser de uso reservado no Brasil, no modelo pro tactical de munição .40. Lothar, apaixonado por armas, explicou a seus companheiros que a arma era bem leve, entre 800 e 900 gramas, de alta tecnologia, inovadora, confiável e segura.
Compraram três destas pistolas e um total de 9 carregadores de 15 cápsulas cada e 200 munições .40. Compraram também um lote de 4 pistolas Walther PPK, 350 munições e 4 cartucheiras de tornozelo. A brincadeira ficou em R$ 22.000,00 já com as despesas e comissão do “agente”. Na troca sairiam por R$ 15.000,00. Lothar reclamava que isso no exterior não chegava ao equivalente a R$ 10.000,00, estavam pagando mais que o dobro, mas fazer o que? Pelo menos além de armas pesadas e de grande impacto eles estavam com uma pistola quase imperceptível e muito famosa por ter sido utilizada por James Bond, o espião 007.
Novo problema se anunciou. Eles não poderiam usar as armas no peito porque chamaria atenção demais três caras com pinta de estrangeiros e ainda por cima de terno numa cidade praiana de veraneio.
Foram ao centro da cidade, compraram camisões largos, estampados e de cores berrantes. Bayer defendia que o melhor meio de passar despercebido é mostrando que não quer se esconder, turista tem que parecer turista. Chama-se a atenção no início, mas logo a novidade passa e eles passam a ser mais um.
A noite começava a cair e nenhum plano executável surgia. Eles estavam ansiosos e não podiam deixar se estender muito, tinham prazos, tinham vistos de turistas e sabiam que quanto mais tempo mais atenções eles iriam despertar.
O grupo que vinha apoiando as ações dos estrangeiros garantiu que a viatura policial sairia da praia por volta das 19hs. E se permanecesse um pouco mais não passariam das 21hs. Eles, então, mesmo sem um plano, resolveram ir para as proximidades e enquanto aguardavam o desenrolar dos fatos decidiriam o que e como fazer.
Paulo só chegou em casa por volta das 18hs. A companhia de Roberto fez com que eles decidissem por algumas investigações complementares.
Sabiam que os estrangeiros iam precisar de contatos. Buscaram com a polícia militar e com a polícia civil alguma informação. Logo um detetive fez contato com eles. Marcaram na casa onde montaram a base das ações, a casa escolhida não ficava nem na Rua Abreu Rangel, nem na Abreu Sodré, muito menos na Avenida Roberto Silveira, como a Delegacia de Macaé. Ficava bem na Rua Ribeiro Almeida, próximo ao Banco do Brasil, no centro de Maricá. A casa era grande e discreta, tinha um bom jardim e ficava no alto, com dois andares e 4 quartos.
Na casa fizeram contato por teleconferência com o delegado federal. Eles estavam afetos à Delegacia de Macaé e o delegado autorizou uma ação mais contundente se necessário e o uso de escutas e vigilância eletrônica. Assim que tivessem provas mais consistentes de ação criminosa ele legalizaria as investigações requerendo-as ao juiz daquela comarca.
O detetive informou que, através de informantes, soube que os estrangeiros estavam se armando com armas de grande poder de fogo, mas discretas – pistolas certamente. Seguiram o homem de contato e levantaram que as armas vinham da favela de Acari, no Rio de Janeiro. Prepararam-se para prendê-lo na entrada de Inhoã. Ele soltara do ônibus antes daquele ponto e, segundo o motorista, tinha uma van, modelo novo, esperando por ele.
Um informante no grupo trouxe notícias que eles não tinham um grupo nem discutiam seus, contratavam homens. Souberam que dois homens estavam monitorando a casa de Ferreira. Sabia, também, que os estrangeiros estavam com pistolas e que queriam saber como funcionavam as bases de viaturas da polícia militar. Parece que tinha uma base próxima a onde eles pretendiam ir.
Roberto sabia da urgência de Paulo depois daquelas notícias. Tudo indicava que os homens pretendiam ir para a sua casa. Dispensou Paulo e ficou de mais tarde ir com os outros dois colegas “fazer uma visita de apoio” a Paulo.
Assim que chegou em casa atiçou todo mundo para se arrumar e irem à cidade. Estavam homenageando a cantora Maysa que tinha uma casa em Maricá e os barzinhos estavam prometendo, cada um, um programa melhor que os outros.
Deixou o carro, a contra gosto, com Luís, só ele tinha carteira e no carro só cabiam 5 pessoas. Logo chegaram mais dois carros e muitos jovens. O telefone estava funcionando. As 20hs, com os policiais militares animados com tantas meninas, saiu um grupo de 4 ou 5 carros em direção ao centro de Maricá, a noite seria maravilhosa para todos menos para André que se viu dispensado por Marisa que estava com muita dor de cabeça e não permitiu que ele ficasse com ela.
Os homens já pensavam em desistir. Era muita gente e ainda tinham os policiais bem em frente à casa. Logo se animaram quando perceberam que a casa ficou praticamente vazia, apenas um homem e duas ou três mulheres.
Paulo já ligara para Roberto que estava nas cercanias e chegou em poucos minutos no seu carro prata filmado, entrou no terreno e os estrangeiros não conseguiram ver quantas pessoas tinham nele. Se vissem talvez desistissem e fossem embora. Roberto chegou com João, Alfredo e com o detetive que estivera com Paulo à tarde. Trouxe ainda duas espingardas de cartucho 12, um fuzil de grande calibre e precisão com mira laser e cada um trouxe pelo menos duas armas de uso pessoal e caixas de munição. Espalharam armas e munição pelos cômodos da casa cobrindo com as espingardas a frente da casa e com o fuzil a cozinha.
Os estrangeiros, deitados na areia da praia, estavam ultimando detalhes de um plano mirabolante. Iam contratar dois marginais para formar um grupo de ataque com cinco homens bem armados. Eles dariam cobertura do lado de fora da casa.
A princípio agiriam juntos para dominar os moradores, o que seria muito fácil, cinco pessoas mais ou menos, desprevenidas, pegas de surpresa e desarmadas. Depois o grupo de ataque ficaria vigiando enquanto eles vasculhavam em busca de algo, não sabiam o que, mas que indicava onde todo dinheiro estava escondido.
Lothar foi em busca do grupo de assalto, resmungando que aquela investida estava cada vez mais cara. O grupo ia pedir R$ 500,00 para cada um e ele só ia dar R$ 400,00.
Becker e Bayer ficaram observando e aguardando a saída da viatura que deveria sair logo, já eram quase 21hs.

 

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