“Quem lê interpreta o que talvez não tenha sido escrito.” ®
A agradável manhã de verão não é reflexo do que o dia promete. Na manchete dos jornais desagradável e inexplicável surpresa. Franz Becker, o único dos estrangeiros capturado, está morto.
Paulo, perplexo, lê com atenção todas as matérias publicadas pelos diversos jornais. Lamenta a oportunidade perdida. Tantas eram as perguntas sem respostas. Agora restara apenas novas e mais perturbadoras perguntas.
Quem teria tentado resgatar Becker? Por que estava ele sendo transferido para a delegacia da polícia federal em Macaé em plena madrugada, no mesmo dia em que foi preso? O que justifica a pressa na transferência? O que significavam as idênticas marcas vermelhas nos antebraços do morto, fotografada por um dos jornais? Por que os jornais dizem que Becker foi baleado e não que houve tiroteio na madrugada? Ninguém comentou qualquer dano em veículos, como pararam a viatura policial? Como o grupo que tentou o resgate teve acesso a informações sigilosas como a transferência, o veículo utilizado, o itinerário, o horário?
Ainda na mesa do café, depois do tiroteio da madrugada anterior, do efeito desta notícia em sua mente policial Paulo ainda percebe que Bia está fria, distante e lhe evitando. Ele sente necessidade de ter um tempo consigo mesmo, precisa colocar a cabeça em ordem, cuidar da família já que está de férias deixando a polícia fazer seu trabalho sem a sua interferência.
- Vamos passear na praia? – convida a Bia na esperança dela aceitar e as coisas começarem a melhorar.
- Faça bom proveito. Se eu fosse você convidaria outra pessoa por que euzinha, nunca mais! – enquanto Bia falava seu rosto se transtornava e as lágrimas se anunciaram.
- Bia, por favor, me explica o que está acontecendo, eu... – não adiantava terminar a frase. Bia, como na noite passada, se trancara no quarto e ele dormira na sala pensando que a tensão do tiroteio havia provocado aquela reação, só agora via que havia algo mais e que era sério.
Já na praia, depois da curva, Paulo é alcançado por Marisa.
- Espera Paulo! Precisamos conversar. – respirando com dificuldade Marisa fizera um grande esforço para chamá-lo.
Paulo para, espera Marisa se aproximar.
- O que foi? Bia está me chamando? – ele já mostrava um largo sorriso que logo se desfez.
- Não, nem vi a Bia. Foi a matéria do jornal. O que você acha que pode ter acontecido? – Marisa respirava fundo para recuperar o fôlego, percebia agora que estava bastante fora de forma, tinha que voltar a malhar.
Paulo queria realmente ficar sozinho, mas por vezes é melhor pensar externando suas opiniões e ouvindo a opinião alheia. Seguiram, então, conversando. Ela só de biquíni expondo um corpo magnífico e ele apenas de short. O casal chamava atenção de todos.
Ferreirinha ao se deparar com a notícia da morte de Becker temeu por sua vida. Tinha alguém nesse meio de caminho. Lúcio estava morto. Ele esteve toda a noite ao lado de Rosa. Como os alemães conseguiram fazer um tiroteio no fim do dia anterior e imediatamente preparar um resgate de um preso em transporte na mesma madrugada?
Tinha mais alguma coisa no meio daquela notícia. O Becker deveria estar algemado e no banco de trás de uma viatura que só abre por fora... Como ele fugiu? Nas fotos não existe nenhuma algema. Será que o bando que tentou resgatar o alemão era composto por policiais? Era a explicação mais lógica para Ferreirinha. Ainda assim, sendo policiais, como permitiram que o alvo de seu resgate fosse fatalmente baleado?
Na casa branca encosta um carro prata e Roberto já sai dele perguntado pelo Paulo. Os rapazes estão comendo pão na varanda e um deles vai chamá-lo no quarto. Informam a Bia que era o Roberto quem chamava.
Menos de cinco minutos depois Bia está despontando na varanda com o seu diminuto biquíni verde, uma canga muito transparente, um chapelão de palha, na mão uma bolsa com seus apetrechos: toalha, bronzeador, short, escova de cabelo, batom hidratante e... Quem mais sabe o que uma mulher pode botar numa única bolsa?
- Roberto, Paulo saiu para andar pela praia, você me dá uma carona?
Roberto estava literalmente embasbacado olhando aquela mulher loira, olhos verdes, biquíni verde e mínimo que lhe revelava tudo de belo que ela possuía. Levou um tempo tão grande para sair do transe que todos na varanda, menos André, já riam dele.
- Vamos, vamos, levo você onde você quiser! – pegou Bia pelo braço e guiou, como quem guia um cego, seguindo à sua frente, mas olhando para trás até que tropeçou provocando gargalhadas do público na varanda.
Abriu a porta do carona, observou cada detalhe do corpo que sentava em seu carro e, agora acordado, em instantes já estava ao lado dela e seguindo com o carro sem saber para onde.
- Onde você quer que eu lhe leve?
- Ia deixar isso por sua conta, mas você está muito aturdido e trôpego hoje. Me leve para as areias de Ponta Negra que preciso me bronzear. – responde Bia com um sorriso maravilhoso e com o olhar fixo no dele.
- Olha para frente! – ela completou fazendo ele mais uma vez acordar de seus devaneios.
- Onde da praia de Ponta Grossa? É... Digo... Ponta Negra? – Roberto estava realmente nervoso, exaltado e excitado com a presença da esposa de seu amigo no carro.
- Você escolhe um lugar bem deserto. Não queremos ser incomodados, não é mesmo?
Ele parou o mais próximo que pode da areia branca e fina de Ponta Negra. Fez questão de abrir a porta do carro para ela.
- Você não vem? – a pergunta deixou Roberto aflito.
- Tenho um short no carro, mas aonde vou me trocar? – enquanto falava ele abria a mala e pegava seu short de banho.
Bia olha em volta e rindo retruca: - Não estou vendo ninguém que possa reclamar por aqui. Ela percebeu que Roberto, por incrível que pareça, estava acanhado e constrangido.
- Anda logo que eu fico de costa para você. – falou e virou-se. Esperou perceber movimentos e virou-se. Ele estava totalmente nu. Ela riu e completou: - Mas não se demore como uma dama, por favor. - ela sorria, parecia aprovar o que viu.
Acabou de falar e ouviu a mala se fechando e, ainda rindo perguntou: - AGORA, já posso olhar? – Roberto estava tomando seu braço para seguirem até a areia convidativa.
Bia levantou com os pés um monte de areia, jogou sobre ele sua toalha e sentou-se usando o monte como um grande travesseiro.
- Essa brisa engana muito, o sol está escaldante, melhor me proteger.
Pegou a bolsa. Mexeu. Futucou. Em suas mãos surgiu um filtro solar. Ela agitou o frasco vigorosamente. Roberto estava encantado com o balouçar rítmico daquele corpo a sua frente e ficou surpreso quando viu Bia estender para ele o frasco.
- Seja cavaleiro. Comece pelas minhas costas. – ela falou, dobrou os joelhos, abraçou as penas e deitou a cabeça nos joelhos dobrados. As costas ficaram esticadas e à disposição de Roberto.
Não era mais o momento de fazer charme ou fingir surpresa. Agora o predador tinha que se anunciar. Ele deixou gotinhas de bronzeador pingar nas costas quentes dela e o líquido fresco fez surgir pontos de arrepio provocando algumas contrações.
Mãos espalmadas dominam as costas de Bia. O bronzeador vai-se espalhando e ela nem percebe o quanto estava relaxada e entregue. As mãos agora passeavam nas laterais, nas suas costelas, nas laterais de seus seios. Ela já percebia o grande intumescimento que experimentava.
Ele sentou atrás dela, com as pernas ao seu redor, e contorcendo-se começou a espalhar o filtro solar em seus pés, subindo pelas pernas. Afastou as pernas para frente e para os lados. Da panturrilha segui para o joelho, subiu para frente das coxas, contornou externamente cada uma. E, com as duas mãos simultaneamente, espalhou o líquido na parte interna das coxas, cada vez mais próximo do biquíni verde e só parou de se aproximar quando percebeu os arrepios na pele da mulher que solta, indefesa, excitada... Não esboça qualquer reação ao ser beijada, mas, aos poucos, começa a corresponder àqueles beijos deliciosos que estão mexendo profundamente com ela.
Surpreendida e extremamente ofegante ela se afasta, mas novamente se entrega ao beijo apaixonante.
O desejo se avoluma, cresce, é a primeira vez que ela experimenta outro homem. Mas Paulo, e Paulo. Não. Ela não pode traí-lo assim! Não vai se igualar a ele.
Lembrar de Paulo faz nascer uma resistência incomum nela e ela se levanta e se joga nas águas.
Nem o choque da água fria arrefece totalmente o desejo de Bia que se pega olhando para Roberto que se deixou ficar na areia..
Inocente Bia. Achou realmente que ele não percebera nada. Ele pega a toalha e leva até a beira da água. Ela se ergue e corre até a toalha se enrolando. Ele a abraça e em seu ouvido pergunta:
- Vou bom ser beijada?
Canalha. Que audácia. Como ele podia dizer isso para esposa de seu amigo. Sentiu um calor subir por seu corpo e se instalar na sua face.
- Obrigado. – insiste Roberto em seu ouvido arrepiando-a. – Foi um prazer conseguir enrubescer uma mulher segura e maravilhosa como você. – para completar ele sussurra em seu ouvido arrancando arrepios e quebra as defesas de Bia ao confessar: - Eu te amo!
Bia voltou para onde estava e se recompôs sem ligar para Roberto lhe observando. Estava mais uma vez ficando insegura, mas não podia deixar que ele percebesse. Pegou todas as suas coisas.
- Você abusou da minha amizade, da amizade de meu marido. É melhor me levar embora daqui.
- O melhor disso tudo é que você gostou e ainda esta pensando em mim e em meus beijos.
- Gostei sim, não me envergonho por isso, sou uma mulher normal atravessando problemas conjugais e você sabe disso, estou frágil.
- Confessa novamente que você gostou de meus beijos – conseguiu ele se aproximando sussurrar baixinho em seu ouvido deixando-a ainda mais arrepiada.
- Eu gostei da sensação de estar me vingando de Paulo, seu babaca! Não tente novamente! Nunca mais! Nunca mais! Me leve embora daqui.
Roberto levou Bia para casa e se foi antes que Paulo voltasse de seu passeio com Marisa.
Bia deixou-se ficar na varanda, deitada numa rede, por longo tempo. Quando decide se levantar dá de cara com Paulo e Marisa voltando, lado a lado, para casa.
Bia chora, não consegue se conter. Corre para o quarto já arrependida de não ter se vingado plenamente quando teve oportunidade. Como Paulo mudou. Na minha frente ele continua com essa mulherzinha, enfia ela na minha casa... E foi só pranto.
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