“Amigos, além de raros, são por vezes irreconhecíveis. Já os reconhecidos, talvez sejam apenas imaginários.” ®
A notícia, mesmo tão distante dos núcleos de jornalismo dos grandes veículos, alcançara as TVs e não apenas Rosa fora mobilizada por ela.
Telma, desesperada, apoiou-se em Afonso e André e seguiu para o hospital. Na casa ficaram Andréia, Lúcia e Marcelo uma vez que não sabiam de Paulo e Bia e o telefone não dava descanso. Eram os amigos querendo detalhes que eles só teriam quando Afonso ligasse do hospital.
Andréia ligou imediatamente para a mãe que de forma fria cortou sua tentativa de contar o que estava acontecendo e, dizendo que ligaria depois, desligou.
Bia precisava deixar o celular livre para suas outras funções.
Andréia ligou então para Paulo. Ela percebera nervosismo na mãe e estava certa de que seus pais não estavam juntos. Paulo assistia mais uma edição extraordinária com boletim do hospital.
“O hospital atendeu nove feridos com gravidade, entre eles o casal de Motoqueiros Negros e sete integrantes da quadrilha de Bazuca.
O próprio Bazuca só tinha ferimentos leves, fora atendido e já estava na delegacia. O morador da Favela da Cocadinha, conhecido como Tonico, estava fantasiado de Motoqueiro Negro e já chegou ao hospital morto.
Não se tem notícias quanto ao número de mortos e a Secretaria de Segurança só se pronunciará numa coletiva amanhã pela manhã.
O cativeiro de Luís Ferreira, seqüestrado há dois dias fora estourado. Ficava no subsolo de uma verdadeira mansão dentro da favela. O imóvel pertence ao traficante preso, Arnaldo, conhecido por Bazuca, que está depondo neste momento e de quem não se tem qualquer outra notícia.
Um dos Motoqueiros Negros já foi identificado. É um ex-presidiário, Luís Antônio Ferreira, também conhecido como Ferreirinha. A Motoqueira, ainda jovem, não foi identificada até o momento e tudo que se sabe sobre ela é que se chama Rita. Ambos ainda estão com risco de morte e internados no CTI.
Rita, ainda hoje, fará uma tomografia para avaliar a situação de seu crânio e cérebro. Os médicos temem hemorragia interna e inchaço cerebral que pode ser fatal.
Fontes da polícia insistem em atribuir toda chacina aos Motoqueiros Negros e a seu seguidor, o Tonico, morto na ação. Todavia, quaisquer dos diversos números, ainda não determinados, dão conta de aproximadamente trinta vítimas entre mortos e feridos. Seria uma incrível proporção de dez traficantes para cada justiceiro.
“Maiores detalhes em nossa edição normal ou a qualquer momento em edição extraordinária.”
Toda entrevista fora ilustrada fixando-se na repórter ao vivo e com flash do socorro aos feridos. As cenas mostraram claramente o rosto de Rita e o de Ferreirinha.
Paulo retomou a ligação com Andréia perguntando se ela ouvira a notícia. Mas ela deixou claro que tinha outras preocupações:
- Onde está mamãe? Tentei falar com ela e ela foi ríspida e desligou na minha cara. O que está acontecendo. Quero saber tudo, pai.
- Pode se tranqüilizar. Não posso falar sobre isso por telefone e você bem sabe. Pode confiar em mim. Para sua tranqüilidade saiba que ela está com a Marisa e Roberto.
- Marisa? Roberto? Eles não estavam em uma missão no Rio de Janeiro?
- Já voltaram e estão neste momento protegendo sua mãe. – Paulo mentiu para a filha, mas seria impossível por a família a par de todos os fatos e riscos.
No motel, Bia assistia, sem acreditar, a ereção de Roberto pulsar enquanto ele falava ao telefone irritado. Parecia que tudo excitava ainda mais aquele homem.
Ele falava, andava, gesticulava, ia de um lado ao outro e quando desligou estava praticamente de frente para ela. Dominando-a pelos cabelos... Salvou-a Marisa. Tomada de uma força enorme, ela puxou Roberto desequilibrando-o e jogou aquele homenzarrão na cama caindo com ele e sobre ele saltando para dar continuidade ao que vinham fazendo.
Bia sentiu em sua cabeça a dor do forte puxão de cabelos. Temeu que Roberto não lhe soltasse. Mas, uma vez desequilibrado, Roberto buscou apoio no corpo de Marisa que derrubou consigo.
Bia tentou mais uma vez se concentrar em como proceder quando a polícia alcançasse o grupo. A espera era agonizante. O casal urrava em pleno orgasmo bem na sua frente fazendo seus pensamentos perder-se em devaneios.
Minutos depois, o casal estava recuperado do idílio e Roberto busca sua calça. Ele não se veste. Joga a chave do carro para Marisa e pede a ela que pegue no porta-malas a caixinha de brinquedos.
Olhando para Marisa esclarece:
- Agora você vai passar por uma verdadeira seção de tortura.
- Marisa vai pegar vibradores, plugues, algemas, cremes, lubrificantes, uma caixa inteira de brinquedos e vamos usá-los para torturar você.
Marisa saiu do quarto para cumprir sua “nobre missão” e Roberto ergueu Bia pelos cabelos e encostando toda sua nudez em seu corpo passou a tentar beijá-la na boca e a retirar roupa da mulher que, reagindo levemente às carícias e beijos ainda mais excitava a seu agressor.
Bia queria resistir. Seu cérebro lhe ordenava a reagir. Mas seu corpo experimentava prazeres indesejados quando a porta foi derrubada e um bando de policiais fardados entrou no quarto.
Em seguida Bia ouviu a porta da garagem ser arrebentada e os pneus do carro cantaram, dois tiros disparados, os pneus cantam, agora mais longe.
Roberto é dominado e, sem qualquer consideração ao seu papel de policial, é levado nu para o camburão que lhe espera já de caçapa aberta. Ele reclama por sua dignidade, suas roupas e por ser policial federal.
Um homem se aproxima da caçapa da viatura e rindo informa a ele que ele está verbal e sumariamente demitido a partir daquele instante uma vez que preso em flagrante delito.
- Por causa da Bia? – pergunta aflito Roberto.
- Entre outras coisas. – diz o delegado que continua rindo da ridícula da situação de Roberto.
- Doutor, a Bia estava aqui por livre e espontânea vontade. Por amor. Ela me ama, pode perguntar a ela.
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